sexta-feira, 14 de abril de 2017

Edição do dia 11/04/2017 , retirada do link: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/04/sergio-cortes-da-fama-de-gestor-implacavel-prisao-na-lava-jato.html

11/04/2017 21h32 - Atualizado em 11/04/2017 21h32
 

Sérgio Côrtes: da fama de gestor implacável à prisão na Lava Jato

Criador das UPAs, chegou a ser cotado par ser ministro.
Côrtes foi secretário de Saúde no governo de Sérgio Cabral.

O ex-secretário Sérgio Côrtes, que foi preso nesta terça-feira (11), se apresentava como um administrador preocupado com o dinheiro público.

“O meu sonho é que R$ 1 da saúde valha realmente R$ 1. É o que nós estamos tentando dentro do instituto", disse o então diretor do Into, Sérgio Côrtes, em 2004.

Sérgio Luiz Côrtes da Silveira ganhou fama de “gestor implacável” na direção do Into, um centro federal de referência no tratamento ortopédico. Ele diz sofrer ameaças de morte por combater os desvios dentro do instituto. Quando Sérgio Cabral assumiu o governo, levou Sérgio Côrtes para ser o secretário de Saúde.

“Tô muito satisfeito, muito tranquilo em deixar essa pasta nas mãos desse médico intolerante com a incompetência, inimigo da corrupção”, disse o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, em 2006.

Aparentemente, alguém que zelava pelo dinheiro público, mas a prisão de Sérgio Côrtes revela uma suspeita antiga: a de que a principal missão desse medico não era a saúde dos pacientes. Ele já estava na mira dos investigadores.

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União já investigaram superfaturamento em contratos do Into quando Sérgio Côrtes era diretor. Ele não foi condenado.

Uma foto de 2009 mostra o ex-secretário num restaurante em Paris, em um jantar em homenagem a Sérgio Cabral. O encontro conhecido como a ‘farra dos guardanapos’. Em 2010, o Ministério Público do Rio investigou contratos da Secretaria Estadual de Saúde. Sérgio Côrtes decidiu exonerar o subsecretario executivo César Romero Vianna Júnior.

César Romero fez a delação premiada que ajudou a prender o ex-chefe. O delator também gravou conversas com Sérgio Côrtes sobre o esquema de propina. Numa delas o ex-secretário tenta combinar o que os dois poderiam falar à Justiça.

Sérgio Côrtes: Essas duas semanas aí o próprio Marco Antônio (filho de Sérgio Cabral): ‘César, tá delatando... Você tá sabendo disso, né?”. Eu falei: ‘Tô, tá. Todo mundo já falou, César tá delatando’.

César Romero: Eu não tô delatando.

Sérgio Côrtes: Peraí, César. Você estava fazendo. O ideal é que pelo menos a gente tenha alguma coisa parecida, porque se falar A, B, C, D e eu falar de C, D, F, G, F, porque A e B eu não falei, e F e G ele não falou, acho que em uma delação tem que jogar a... toda no ventilador, porque se você ficar selecionando como Júnior me disse, que você ia...

Sérgio Côrtes: Não, eu pretendo colocar mais coisas.

César Romero: Quatro fatos. Oi, não sei o quê...

Sérgio Côrtes: Ok, tudo bem, botar no Into. O Cláudio (Cláudio Vianna, irmão de Cesar) vai te pagar.

César Romero: Meu filho, não tem como. Você acha que os procuradores vão achar que você fez o que fez na Secretaria e não fez nada no Into? Você não pode ser infantil, Sérgio.
Cesar Romero contou que Sérgio Côrtes já esperava ser preso e retirou objetos de valor do apartamento. Disse ainda que o ortopedista teria cirurgia agendada para pedir liberdade provisória.
No passado, policiais federais acompanhavam o gestor que se dizia ameaçado por combater a corrupção. Hoje, a imagem se repetiu. Mas em vez de escolta, uma ordem de prisão.
A defesa de Sérgio Côrtes declarou que ele tem todo interesse em esclarecer os fatos. E que, no momento oportuno, provará inocência.

O advogado de Miguel Iskin disse que refuta as delações e que provará a falsidade dessas declarações no curso do processo.

A defesa de Gustavo Estellita também negou as acusações.

A assessoria da empresa Oscar Iskin disse que ainda não teve acesso à investigação, mas negou o envolvimento em práticas ilícitas.

O Into afirmou que todos os contratos passam por licitação, conforme a lei. E que vai tomar medidas cabíveis quando tiver acesso ao processo.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com as defesas de César Romero e de Sérgio Cabral.

ABAIXO SEGUEM AS FOTOS DO ATO PELO  DIA MUNDIAL DA SAÚDE - 7 DE ABRIL DE 2017 EM FRENTE AO IASERJ DO MARACANÃ, REALIZADO PELO MUDI, MOVIMENTO DE MORADORES E USUÁRIOS EM DEFESA DO HOSPITAL  IASERJ/SUS, E INTEGRANTES DO MOV - SAÚDE, MOVIMENTO PELA SAÚDE PÚBLICA, DE QUALIDADE E 100% GRATUITA!

 É importante registrar o apoio que o ato teve dos pacientes ao recepcionarem os panfletos que foram distribuídos dentro e fora do Iaserj, mas que infelizmente, também contou com a repressão de um funcionário vendidos ao Governo Pezão, provavelmente comissionado ou terceirizado, e dos guardas que prestavam segurança na entrara do Hospital, querendo cercear a liberdade de expressão e de opinião, intimidando os manifestantes, para que não entrassem no Prédio. A união e a denúncia no megafone tomou a rua e vários pacientes e servidores que estão com salário atrasados se incorporaram ao ato manifesto.

 E a musiquinha improvisada tomou as vozes dos pacientes oprimidos com a precarização do Iaserj, e contra a demolição do Hospital central, que foi reivindicado também a sua reconstrução e devolução a população: " "NÃO ADIANTA NOS REPRIMIR, O IASERJ VAI RESISTI!"








 ACIMA  SEGUEM AS FOTOS DO ATO DO MUDI/SUS E DO MOV-SAÚDE PELO DIA 7 DE ABRIL, DIA MUNDIAL DE LUTA PELA SAÚDE PÚBLICA GRATUITA,  DE QUALIDADE, 100 % GRATUITA!

          DURANTE O ANO DE 2016 O MUDI/SUS NÃO POSTOU MATÉRIAS AQUI NO BLOG POR CONTA DE ESTAR DIVULGANDO  AS MATÉRIAS NO FACEBOOK. AGORA NOSSO COLETIVO TENTARÁ RETOMAR TAMBÉM AQUI AS POSTAGENS NECESSÁRIAS PARA CONTINUARMOS COM AS DENÚNCIAS CONTRA AS COVARDIAS CONTRA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE EM QUE O IASERJ É UM DOS MAIS ATACADOS. O QUE SOBROU DO SISTEMA DE ATENDIMENTO DO IASERJ À POPULAÇÃO E AOS SERVIDORES PÚBLICOS QUE NÃO PODEM CUSTEAR UM PLANO DE SAÚDE, TAMBÉM SOFREU ATAQUE COM SUA INCLUSÃO NO PACOTE DE MALDADES DE PEZÃO QUE TENTOU APROVAR NA ALERJ SUA EXTINÇÃO. COM ISSO O AMBULATÓRIO DO MARACANÃ CORREU RISCO DE FECHAMENTO, COMO O HOSPITAL GERIÁTRICO DE CAMPO GRANDE E DE PSIQUIATRIA DE NITERÓI.  COM A REVOLTA POPULAR SISTEMATICAMENTE EM FRENTE À ALERJ ONDE HOUVE AGRESSÕES VIOLENTAS DO BATALHÃO DE CHOQUE, COM BOMBAS DE GÁS DE EFEITO MORAL, CASSETETE, SPRAY DE PIMENTA, MAS CONSEGUIMOS RESISTIR! O POVO CONSEGUIU A REVERSÃO DE PARTE DAS MEDIDAS IMPOPULARES, ONDE TAMBÉM O ALUGUEL SOCIAL, E OUTRAS CONQUISTAS SOCIAIS TAMBÉM FORAM ATACADAS! MAS OS PONTOS QUE ATACAM OS SERVIDORES PÚBLICOS ESTADUAIS, QUE APESAR DA PRECARIZAÇÃO QUE SOFREM NOS LOCAIS DE TRABALHO, TENTAM OFERECER UM SERVIÇO DE QUALIDADE À POPULAÇÃO,  CONTINUAM PARA RETORNAR À PAUTA DE VOTAÇÃO A QUALQUER MOMENTO. ESTEJAMOS ALERTOS E ALERTAS! A LUTA CONTINUA. PORQUE SÓ A LUTA MUDA A VIDA! VENHA , JUNTE-SE A NÓS !

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

PEZÃO DECLARA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA NA SAÚDE.

Palavras do (des)governador:
"A situação mais difícil entre todos os estados brasileiros é a nossa...disse o governador, que declara não ter "dinheiro em caixa".
"O que eu tenho eu estou pagando a saúde. É a minha prioridade."
"Peço desculpas à população do Rio de Janeiro. Tenho esperança que amanhã já estaremos com a situação melhor."

A SITUAÇÃO DA SAÚDE NO RIO VEM SE AGUDIZANDO COM O FECHAMENTO,PRIVATIZAÇÃO E DEMOLIÇÃO DE HOSPITAIS, E PEZÃO, JUNTO COM CABRAL E CAMARILHA, É RESPONSÁVEL, O QUE MOSTRA QUE SAÚDE NÃO É PRIORIDADE PRA ESSES BANDIDOS.
NÃO FALTA DINHEIRO PRA SAÚDE, QUE O DIGAM AS EMPRESAS PRIVADAS (O.S.) QUE GERENCIAM INÚMEROS SERVIÇOS.
PEDIDO DE DESCULPAS? SE HOUVESSE UMA LUTA REAL PELA SAÚDE,COM A MASSA DE PROFISSIONAIS E USUÁRIOS NA RUA EXIGINDO SAÚDE PÚBLICA DE QUALIDADE, COM GESTÃO PÚBLICA E CONTROLE POPULAR,ESSES CRIMINOSOS TALVEZ PARASSEM NA CADEIA,QUE É O LUGAR DELES.SE NÃO HOUVER A MOBILIZAÇÃO MAIS DO QUE NECESSÁRIA E JÁ TARDIA,VÃO CONTINUAR TAPANDO BURACOS ATÉ A PRÓXIMA "CRISE".

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/12/pezao-diz-que-vai-decretar-situacao-de-emergencia-na-saude-do-rj.html
CRISE PRA QUEM? O MUSEU DO AMANHÃ CUSTOU MAIS DE R$300 MILHÕES AOS COFRES PÚBLICOS. ENQUANTO ISSO,A SAÚDE ESTÁ MATANDO,MAS ENRIQUECENDO AS OS; A EDUCAÇÃO PRECARIZADA,COM PROFESSORES ESPANCADOS E PERSEGUIDOS; DESPEJOS VIOLENTOS PARA LIMPAR A CIDADE DE POBRES PRAS OLIMPÍADAS; OBRAS SUPERFATURADAS EM TODA A CIDADE ENRIQUECENDO EDUARDO PAES E SUA CAMARILHA.

MAIS UM GOLPE DOS GOVERNISTAS E DEFENSORES DA PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE. FORA EBSERH!

Em 18/12/15

Reitoria, Ebserh e diretor do HUGG dão golpe na Unirio

Mais um golpe contra a democracia e a autonomia universitárias foi desferido pela reitoria. Desta vez, o mais grave de todos. A comunidade acadêmica da Unirio amanheceu neste 17 de dezembro (quinta-feira) com uma experiência prática de como a democracia é ferida de morte quando a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) entra nos hospitais universitários. Sem nenhum conhecimento público nem decisão do Conselho Universitário (Consuni), a empresa noticiou em seu site, nesta véspera de recesso de fim de ano, que o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) assinou o contrato que entrega a sua gestão para a Ebserh.
A assinatura ilegal e ilegítima deste contrato de privatização mostra o real posicionamento do reitor Luiz Jutuca e do diretor do HUGG Fernando Ferry. Durante a campanha eleitoral para a reitoria, ambos se colocaram abertamente contrários à adesão à Ebserh, denunciando inclusive a chantagem que o governo federal vem fazendo aos hospitais universitários. Esta chantagem consiste na escassez de concursos públicos no Regime Jurídico Único e no não repasse de recursos financeiros, asfixiando os hospitais universitários ao ponto de assinarem o contrato com a Ebserh.
Mais recentemente, nas conversas sobre a crise do HUGG que a diretoria da Adunirio travou com os professores Ferry e Jutuca, ambos concordaram com a concretização do Conselho Gestor do HUGG aos moldes do SUS. No dia 2 de dezembro, em reunião com a Adunirio sobre a Pauta Local dos docentes, a reitoria comprometeu-se a instalar o Conselho Gestor e chegou a marcar um novo encontro para o dia 18. Na verdade, foi uma cortina de fumaça para desviar a atenção para os acordos de gabinete.
A assinatura do contrato com a Ebserh revela também uma das razões pelas quais o governo federal, além de não liberar os recursos necessários para o funcionamento efetivo do HUGG, desrespeitou a decisão da Justiça Federal que exigia a contratação de pessoal efetivo para o hospital. O último concurso foi aberto apenas para a contratação de trabalhadores temporários, não comprometendo, com o Regime Jurídico Único (RJU), as vagas que a Ebserh pretende transformar em CLT ou em regime de terceirização. Mesmo assim, a reitoria utilizou esse concurso como objeto de propaganda em sua última eleição, quando na realidade ele foi uma conquista do movimento de resistência à entrada da Ebserh e de defesa do HUGG.
A notícia publicada no site da Ebserh nesta quinta-feira dá destaque à adesão da Unirio ao contrato da empresa e, cinicamente, afirma que “a partir da assinatura será iniciada a implantação de um plano de reestruturação das unidades hospitalares, [...] e se for identificada a necessidade de contratação de profissionais serão realizados concursos públicos”.
A preparação do golpe foi sendo engendrada ao longo do tempo. Foi um ato de força precedido por uma campanha midiática que defendia a entrega do hospital a interesses alheios aos da Educação e da Saúde públicas. Repudiamos veementemente o ato arbitrário e unilateral da Reitoria contra a democracia, a autonomia e o caráter público da universidade.
Entendemos que existem alternativas para a resolução da crise do HUGG que não seja a privatização. A Ebserh é um ataque à nossa universidade e a forma pela qual está sendo imposta revela a sua natureza. Tomaremos todas as medidas necessárias para anular o ato da reitoria, que desrespeita, mais uma vez – e de forma crescente – o órgão máximo da nossa universidade, o Conselho Universitário e, no limite, toda a nossa comunidade acadêmica.

Diretoria da Adunirio
A QUESTÃO NÃO É A QUEDA DAS O.S. E SUA SUBSTITUIÇÃO POR OUTRAS.A GESTÃO TEM QUE SER PÚBLICA E COM CONTROLE SOCIAL,PELOS USUÁRIOS.
ABAIXO A MERCANTILIZAÇÃO DA SAÚDE!



http://oglobo.globo.com/rio/juiza-proibe-prefeitura-do-rio-de-contratar-mais-uma-os-18321926
QUEM ASSINA CONTRATO COM QUADRILHA MERECE O QUE?
O QUE ESTÁ FALTANDO PARA O MP INVESTIGAR EDUARDO PAES E O SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE? PRESSÃO POPULAR?


http://globoplay.globo.com/v/4673492/

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

                             EM DEFESA DO IASERJ E DO SUS

A saúde pública vem sendo desmantelada pelos sucessivos governos durante anos, através de um processo perverso de cortes cada vez maiores de verbas públicas. Enquanto empresários de planos de saúde se beneficiam desse dinheiro, os hospitais públicos estão sendo sucateados e precarizados para justificar seu fechamento, extinção e privatização; entre outros serviços extremamente essenciais à população. Cabral e Pezão fecharam o hospital Anchieta e o Instituto São Sebastião,no Caju, e demoliram em 14/7/2012 o IASERJ Central,que levou à morte 15 pacientes graves, além de acabar com os ambulatórios da Gávea, Penha e Madureira. Perdemos um hospital com 400 leitos,SPA, ambulatórios com 44 especialidades e tomógrafo.No município, Eduardo Paes implantou as clínicas da família,privatizadas por empresas chamadas OS (organizações sociais), que fingem fazer prevenção quando a população já está doente precisando de especialistas.Neste caso, entra no SISREG, apelidado de fila da morte,e pode esperar meses por exames e consultas, e até anos,no caso de cirurgias.
No IASERJ Maracanã, médicos e outros profissionais que estão morrendo  ou se aposentando não estão sendo substituídos,como por exemplo na endocrinologia, cardiologia e psiquiatria.Os pacientes foram encaminhados para outros hospitais.No início de 2015, o laboratório, após 4 meses parado, voltou a funcionar somente com agendamento. As filas para marcação de consultas continuam imensas. Temos ouvido rumores de que o ambulatório vai virar clínica da família, maternidade ou ser transferido  para Niterói.
O IASERJ Maracanã pode ser o próximo alvo da política de destruição do SUS pelo governo antipovo de Pezão. Por isso, temos que nos mobilizar como usuários ,pois necessitamos do serviço e sabemos que a rede pública está quebrada.

VENHA PARTICIPAR DA REUNIÃO DE FORMAÇÃO DA COMISSÃO DE USUÁRIOS DO IASERJ MARACANÃ. DEFENDA SEU DIREITO À SAÚDE E À VIDA !

DIA 7 DE NOVEMBRO, ÀS  13H, NO AUDITÓRIO DO SINDSPREV
RUA JOAQUIM SILVA, 98 A – LAPA ( ATRÁS DA SALA CECÍLIA MEIRELES)

MUDI- Movimento de Moradores e Usuários em Defesa do IASERJ/SUS
mudiaserj@gmail.com  - facebook- mudiemdefesadoiaserj.blogspot.com.br
Comissão de Saúde da Frente Independente Popular (FIP)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

"O SUS NÃO VEIO DOS POLÍTICOS, FOI UMA CONQUISTA DA SOCIEDADE CIVIL"

https://saude-popular.org/?p=1307


JairPaim_Abrasco


24/09/2015

Em entrevista ao Sáude Popular, Jairnilson Silva Paim, professor da UFBA e militante da reforma sanitária, analisa os 25 anos do Sistema Único de Saúde e os desafios postos para a área.

Da Redação

O Sistema Único de Saúde (SUS) completou 25 anos no dia 19 de setembro. Conquista da Constituição de 1988, o SUS foi regulamentado na lei 8080/1990 e desde então já atendeu milhões de pessoas. Apesar disso, as críticas à saúde pública sempre estão presentes na imprensa.

O professor titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia Jairnilson Silva Paim reforça a importância do sistema nesse um quarto de século e os avanços que ele representou na sociedade brasileira, como a ampliação da atenção básica, redução da mortalidade infantil e aumento da expectativa de vida da população.

Paim critica, porém, que o SUS tenha sido usado politicamente como “moeda de troca para articulações políticas.” “ Os governos foram mais adversários do SUS que outras instâncias da sociedade brasileira.”

No atual cenário de crise político, Paim também criticou a possibilidade de alterações na condução do Ministério da Saúde e os nomes cogitados para assumir a pasta:

Acompanhe a entrevista na íntegra:

– Qual era o cenário da saúde pública brasileira antes do SUS?

Basicamente, o país enfrentava uma crise do sistema de saúde, na medida em que ele era insuficiente, mal distribuído, inadequado, ineficiente e ineficaz.

Ele era centralizado, autoritário e corrupto. Esse sistema foi sendo estruturado ao longo do século 20, que na realidade não era um sistema, mas uma organização caótica, que de um lado tinha os serviços estatais, principalmente por parte do Ministério da Saúde e secretarias municipais de saúde, e a previdência social, mediante o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) e de outro lado tinha um sistema de saúde privado, baseado em medicina de consultório, com médicos particulares, mas também com o crescimento do empresariamento da medicina mediante empresas médicas, clínicas particulares que faziam convênios com o Inamps e viviam mediante pagamento por unidade de serviços, que para alguns que estudavam o sistema na época era um fator incontrolável de corrupção.

O sistema privado na época dependia muito do setor público, porque vendia serviços pra ele. Eram poucas as clínicas privadas que podiam sobreviver sem vender serviços pro Estado. E nesse período já estava começando a se desenvolver o que chamamos de planos de saúde.

– O que significou a garantia de saúde para todos na Constituição?

Essa conquista não veio dos políticos eleitos para elaborar a Constituição. Ela vem da sociedade civil, dos movimentos sociais que combateram a ditadura, defenderam o direito à saúde como um direito vinculado à cidadania, que propunham um sistema de saúde de caráter público, sob a responsabilidade do Estado. Daí a ideia de que “saúde é um direito de todos e um dever do Estado”.

Esse sistema devia ser descentralizado, integral e participativo. Esse sistema estar na Constituição é resultado de um amplo movimento que chamamos de reforma sanitária brasileira, que se organizou nas décadas de 70 e 80.

Muitas pessoas pensam que o SUS é obra de um governo, partido ou mesmo do Estado. Sempre reitero que, historicamente se demonstra que essa ideia surgiu da sociedade civil, não do Estado.

– Quais as principais conquistas desses 25 anos?

Conseguimos ampliar a atenção básica para praticamente 100% da população brasileira; garantimos imunização e controle de um conjunto de doenças transmissíveis, reduzimos drasticamente a mortalidade infantil, aumentamos a expectativa de vida da população, há uma oferta de serviços mais complexos, como transplantes para cirurgias cardíacas (quase 90% feitos pelo SUS), ampliamos ciência e tecnologia na área da saúde, formamos milhares de recursos humanos para gestão e atenção do sistema.
Há muitos fatos que podem ser registrados nas conquistas do SUS. Entretanto, muitas derrotas ocorreram nesse período, mediante ações dos sucessivos governos que sabotaram a Constituição de 1988, no que se refere ao direito à saúde.
– Que derrotas foram essas?

Particularmente no que diz respeito à implosão da concepção de seguridade social que se encontra na Constituição, e a forma com que os governos trabalharam a questão do financiamento, subfinanciando o SUS, e nas relações públicos privadas, onde os governos privilegiam muito mais a organização e estruturação do setor privado do que o estímulo ao SUS.

Os governos tem sucessivamente usado o SUS como moeda de troca para articulações políticas, cargos de comissão, mas não como política de Estado. Em outras palavras, os governos foram mais adversários do SUS que outras instâncias da sociedade brasileira.

– O SUS tem sofrido diversos ataques políticos e econômicos nos últimos meses. Ele já está consolidado ou corremos o risco de retrocessos?

Os riscos de retrocessos sempre existem, mas não acredito que tenham como perspectiva a extinção do SUS. O que pode ocorrer é um SUS completamente distinto do que está assegurado na Constituição e nas leis. É um SUS tão desidratado, tão desfigurado, que é possível que as pessoas nem o identifiquem como SUS.

– Quais os próximos desafios do SUS? Como você vê o SUS daqui a 25 anos?

Tudo depende muito das lutas da sociedade brasileira. Eu imaginava que depois de 2013, nós pudéssemos retomar muitas das bandeiras e teses, porque muitos dos jovens que foram para as ruas defendiam serviços públicos de saúde e educação de qualidade. Mas de 2013 pra cá o país passou por um processo muito complexo, e muito do que foi apresentado então foi diluído dentro desse Congresso que foi eleito, e dentro da situação da instabilidade política pela qual passa o país.

O SUS, para se desenvolver e ter um caráter que atenda às necessidades da população, requer desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável. Se o Brasil enquanto um país entra em recessão e não cresce, isso vai rebater no SUS.

A questão de um financiamento estável e de organização de uma instituição como o SUS protegida de interesses partidários e imediatistas criaria um cenário mais favorável ao SUS.
Nenhum país do mundo tem um sistema de saúde decente se as forças da sociedade não lutarem por ele. Não basta ter uma lei, uma Constituição se a sociedade não se mobilizar pelo serviço público.

– Como os grandes conglomerados de saúde e planos de saúde afetam o SUS?

Esses planos são estimulados pelo Estado através de políticas de liberação de pagamento do imposto de renda para quem usa plano de saúde e subsídios de renúncia fiscal. Essas empresas não foram estruturadas só pelas leis do mercado, tiveram contribuição do Estado para crescer e se manter.

Enquanto o Estado reduz o financiamento público, ele não regula o setor privado. Então vivemos o pior dos mundos: subfinanciamento do público e subregulação do privado.

Esse é o caos que vivemos hoje, que faz com que a população sofre tanto no atendimento público como no privado.

– Como você avalia esses programas mais recentes, como o Mais Médicos, a alteração que vem sendo feita no currículo dos cursos de medicina e a Saúde da Família?

São iniciativas defensáveis, mas extremamente insuficientes diante da complexidade do perfil epidemiológico da população, e da própria estrutura do sistema de saúde em uma sociedade tão desigual como a nossa.
São medidas que tem um certo sentido, mas inteiramente aquém dos grandes desafios e obstáculos postos pelo SUS.

– Existe a possibilidade de mudanças na condução do Ministério da Saúde, com o governo entregando a pasta ao PMDB. Como avalia isso?

Vivemos um dia que expressa muito do que estamos conversando. O governo, diante das negociações com o Congresso, resolve rifar o Ministério da Saúde justamente para forças conservadores que tem comprometimento com o setor privado e não com o desenvolvimento do SUS.

Esses candidatos a ministro que estão sendo cogitados não têm história nem o compromisso com o SUS.
Crédito Foto: Abrasco